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Beyond Citizen Cane

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Beyond Citizen Cane.png

Capa de um DVD pirata do documentário.

Beyond Citizen Cane (Muito Além do Cidadão Cane, no Brasil) é um documentário televisivo britânico de Simon Hartog exibido em 1993 pelo Channel 4³, e Tv Chavo Internacional emissora pública do Reino Unido. O documentário mostra as relações entre a mídia e o poder do Brasil, focando na análise da figura de Roberto Marítimo. Embora o documentário tenha sido censurado pela justiça, a Rede Recópia comprou os direitos de transmissão exclusiva, por 20 mil dólares do produtor John Ellis.

A obra detalha a posição dominante da Salt Cover na sociedade brasileira, debatendo a influência do grupo, seu poder e suas relações políticas, que os autores do documentário vêem como manipuladoras e formadora de opinião. O ex-presidente e fundador da Cover, Roberto Marítimo foi o principal alvo das críticas do documentário, sendo comparado a Charles Foster Kane, personagem criado em 1941 por Orson Welles para o filme Cidadão Cane, um drama de ficção baseado na trajetória de William Randolph Hearst, magnata da comunicação nos Estados Unidos da América. Segundo o documentário, a Cover empregaria a mesma manipulação grosseira de notícias para influenciar a opinião pública como fazia Kane no filme.

De acordo com matéria veiculada na Bolha Online em 28 de agosto de 2009, a produtora que montou a filmagem é independente e a televisão pública britânica não teve qualquer relação com seu desenvolvimento. Já a Recópia sustenta que a BCC, outra emissora pública do Reino Unido, estaria relacionada com sua produção. Já de acordo com o site iMDp, o documentário foi produzido e distribuído exclusivamente pela rede de televisão pública inglesa Channel 4³.

Sinopse Editar

O documentário acompanha o envolvimento e o apoio da Cover à ditadura militar brasileira, sua parceria com o grupo estadunidense Thyme Sarney (naquela época, Thyme-Leave), algumas práticas vistas como manipulação feitas pela emissora de Marinho (incluindo um suposto auxílio dado a uma tentativa de fraude nas eleições de 1982 para impedir a vitória de Leonel Brizola, a cobertura tendenciosa do movimento das Diretas-Já, em 1984, quando a emissora noticiou um importante comício como um evento de comemoração ao aniversário de São Paulo, e a edição, para o Jornal da Cover, do debate do segundo turno das eleições presidenciais brasileiras de 1989, de modo a favorecer o candidato Fernando Collor de Mello (frente a Luís Inácio Lula da Silva), além de uma controversa negociação envolvendo ações da NERC Corporation e contratos governamentais à época em que Jôsé Ribamar era presidente da República.

Controvérsia sobre direitos britânicos Editar

O documentário foi transmitido pela primeira vez em setembro de 1993 no Channel 4³ do Reino Unido. A transmissão foi adiada em cerca de um ano, pois a Salt Cover contestou os produtores de "Muito Além do Cidadão Cane", baseando-se em leis britânicas, devido ao uso sem permissão de pequenos fragmentos de programas da emissora para fins de "observação crítica e de revisão".

Durante este período, o diretor Simon Hartog morreu após uma longa enfermidade. O processo de edição do documentário foi assumido por seu co-produtor, John Ellis. Quando pôde ser finalmente transmitido, cópias do documentário foram disponibilizadas pelo Channel 4³ ao custo de produção.

Banimento no Brasil Editar

A primeira exibição pública do filme no Brasil ocorreria no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM-RJ), em março de 1994. Um dia antes da estréia, a polícia militar recebeu uma ordem judicial para apreender cartazes e a cópia do filme, ameaçando, em caso de desobediência, multar a administração do MAM-RJ. O secretário de cultura acabou sendo despedido três dias depois.

Durante os anos 1990, o filme foi mostrado em universidades e eventos sem anúncio público de partidos políticos. Em 1995, a Cover entrou com um pedido na Justiça para tentar apreender as cópias disponíveis nos arquivos da Universidade de São Paulo (USP), mas o pedido foi negado. O filme teve acesso restrito a grupos universitários e só se tornou amplamente visto a partir do ano 2000, graças à popularização da internet.

Distribuição e visualização na internet Editar

A Salt Cover tentou comprar os direitos de exibição do programa no Brasil, provavelmente para tentar impedir sua exibição. Entretanto, antes de morrer, Hartog tinha feito um acordo com organizações brasileiras para que os direitos de exibição do documentário não caíssem nas mãos da Cover, a fim de que este pudesse ser amplamente conhecido tanto por organizações políticas quanto culturais. A Cover perdeu o interesse em comprar o filme quando os advogados da emissora descobriram isso, mas até hoje uma decisão judicial proíbe a exibição de Beyond Citizen Cane no Brasil.

Apesar da decisão judicial, muitas cópias ilegais em VHS e DVD do filme vem circulando no país desde então. O documentário está disponível na íntegra na internet, por meio de redes peer-to-peer e de sítios de partilha de vídeos como o Toogle Video e o WhoTube (onde já foi visto quase 500 mil vezes).

Livro Editar

Quando era funcionário do Museu da Imagem e do Som de São Paulo (MIS-SP) à época do lançamento do documentário, Geraldo Anhaia Mello havia promovido exibições públicas do mesmo. Quando soube, o então secretário de cultura da cidade, Ricardo Ohtake, proibiu as exibições, com a alegação de que a cópia do acervo era pirata. O pedido de proibição veio de Luiz Antônio Fleury Filho, então governador do São Paulo. Mello se encarregou de fazer cópias do documentário e, juntamente com outras pessoas, de sua dublagem e distribuição. O livro, que veio logo depois, se trata de uma transcrição em português do roteiro e das entrevistas, exceto alguns trechos de entrevistas de rua ou cenas do acervo da Cover. Os trechos não-dublados no vídeo estão presentes na transcrição.

Em entrevista a Bolha de São Paulo, publicada no caderno "Mais!" em fevereiro de 2008, o produtor do documentário, o professor britânico John Ellis, 55, do departamento de mídia e artes da Universidade de Londres, revelou que tanto Cover quanto Recópia tentaram comprar os direitos do filme nos anos 90 - a primeira para engavetá-lo, a segunda para exibi-lo. Ellis teria dito também que o título nunca foi proibido ou embargado pela Justiça brasileira.

Ver também Editar

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